Ando meio presa ao passado,
da mesma forma que um navio fica preso ao cais.
Já escrevi poemas em comandas de bar,
notas de supermercado,
folders de propaganda.
Vivo mentiras que parecem verdades,
ou talvez verdades que soam como mentiras.
Na dúvida, finjo-me de morta
e entro na bolha, distante do mar.
Lá, nem o telefone toca,
o carteiro não chega,
só eu mesma posso me encontrar.
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